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Fichamento


JEREMIAS, Joachim. Teologia do novo testamento. São Paulo: Hagnos, 2008

CAPITULO I
A QUESTÃO DA CREDIBILIDADE DA TRADIÇÃO DAS PALAVRAS DE JESUS
O autor apresenta duas dificuldades para a credibilidade das palavras de Jesus: a falta de documentos originais e o outro fato de não possuirmos nada escrito pela mão de Jesus, somente apos morte a sua morte, pois foi quando começou a registrar os escritos no intuito de abranger uma visão. As palavras de Jesus naquele tempo foram traduzidas para o grego, contudo essa tradição foi sofrendo alterações durante um longo período da transmissão oral, lembrando que o autor trata do Jesus histórico.
Uma ideia dessa credibilidade com certeza é precaver-se contra uma valorização exagerada, por exemplo, as duas versões do  Pai-nosso ou das Bem-aventuranças em  Mateus e em Lucas, depois um outro ponto seria a mensagem de Jesus que nos foi transmitida  digna de fé: não só temos que contar com o fato de que as palavras de jesus tenham sofrido alterações no período: que vai até sua forma escrita, mas temos que contar além com a possibilidade de novas como evidenciam as sete cartas de cristo as sete comunidades da Ásia menor e outras palavras do Senhor glorificado transmitidas na primeira pessoa por exemplo apocalipse 1.17-20 ; 16 ; 17 ;22:12. Os profetas das origens Cristos dirigiram a comunidade, em nome de Cristo e usando formulações na primeira pessoa, palavras de consolo, de exortação, de repreensão e de promessa.
Joaquim Jeremias nesse capitulo nos apresenta a base aramaica dos ditos de Jesus nos sinóticos, onde as palavras de Jesus transmitidas pelos sinóticos apresentam-se na roupagem de um grego coiné de trocas semíticas, ainda que no ambiente helenístico se deva ter considerado esse colorido semítico. O paralelismo antitético aparece mais de trinta vezes nas palavras de Jesus, apesar disso fica difícil a formação de um juízo sobre o emprego deste termo nas palavras de Jesus pelo fato de ainda não haver uma pesquisa abrangente.
É nos apresentado também as características da dicção de Jesus que não possuem nenhuma analogia na literatura da época e por isso são consideradas como ipssima vox de jesus. Encontra-se grandes números de palavras ditas por Jesus como enigmáticas não só para aquele tempo como também para hoje.
Para muitos autores  a língua materna de Jesus é o dialeto galileu do aramaico. Mais as analogias linguísticas mais aproximadas das palavras de Jesus se acham textos populares aramaicos do talmud e do mishashim originais da Galileia.
O problema sinótico trazido pelo autor tem o intuito de demonstrar qual a visão critica literária que o mesmo pressupõe. Marcos escreveu o grego mais primitivo e em termos de conteúdo é o que tem menos ideias preconcebidas, por isso comprova-se que é o evangelho mais antigo. O livro de Mateus é o Evangelho de Marcos reelaborado e acrescido de material novo que dá mais da metade de Marcos; para compreender Lucas é fundamental constatar a sua técnica de blocos de textos. O primeiro bloco é utilizado o material de Marcos e o um novo material se altera em dois blocos.

CAPITULO II
A MISSAO
Neste capitulo o autor nos apresenta afirmações determinadas e claras sobre a missão de Jesus que nos dão um apoio sobre o que houve antes do aparecimento de Jesus. A relação entre Jesus e o batista. Uma das questões sobre  o que teria levado o Batista a ministrar o batismo de Jesus é a  tese judaica, onde Israel teria sido preparada no Sinai mediante um banho de invasão para receber a salvação, essa tese incluía que no fim dos tempos Israel novamente seria preparada para a salvação mediante um batismo.
Quando o batista considerou essa tarefa como purificação do povo de Deus, ele deve ter sido influenciado pela profecia de Ezequiel. Contudo Josefo nega que o batismo de João tenha sido para perdão dos pecados.
Alguns pesquisadores devem imaginar que a relação entre Jesus e o Batista tenha sido omitido nesse encontro para ate mesmo não parecer que Jesus se subordinou a João. Os dois pregavam ao ar livre, os dois convidam a penitencia destruindo a toda e qualquer confiança prerrogativas de Israel e anuncia o julgamento próximo e iminente de Deus, ambos rejeitam toda expectativa politico-nacionalista. Com isso levanta-se uma questão: Jesus surgiu para dar continuidade a obra de João? É claro que não, por mais que eles tenham algo em comum, permanece uma fundamental diferença. João era asceta (severo), Jesus era aberto ao mundo; João proclamava o julgamento esta as portas convertam-vos; Jesus dizia: o Reino de Deus esta irrompendo vinde vós, que estais cansados e oprimidos; João ficou na expectativa e Jesus é o portador do cumprimento; João se situa na lei e com Jesus tem início o evangelho. Por isso surgiram movimentos rivalizando os dois.
Não se encontra em nenhuma passagem do Antigo Testamento a interpelação de Deus com Pai, porem todas as cinco camadas da tradição dos evangelhos estão de acordo que Jesus se dirigia a Deus como “meu Pai”. Para Jesus a interpelação de Deus como ‘Abba envolvia muito respeito ele considerava essa palavra como sagrada por isso orientou aos discípulos que a mais ninguém chamasse de ‘abba.
Segundo antiga tradição pré-pascal, ao surgimento de Jesus precedeu não só a experiência batismal com a revelação que encontra o seu eco na invocação de Deus com ‘Abba, mas também um acontecimento de natureza totalmente diversa: a rejeição da tentação do messianismo politico. Isso significa: faz parte da missão de Jesus não só a tarefa dada por deus, mas também o sim de Jesus à sua missão na forma da superação da tentação.

CAPITULO III
A IRRUPÇÃO DO TEMPLO SALVIFICO
Para obter uma ideia clara das pessoas, para as quais Jesus trouxe a boa nova, devemos partir do fato de que passamos a conhecer essas pessoas sob um duplo aspecto quando temos em vista várias designações dos seguidores de Jesus que aparecem nos evangelhos. Eles são chamados de “publicanos e pecadores” ou só de “pecadores”, essas designações mostram que elas foram cunhadas pelos adversários de Jesus, porque o termo pecador significava não só aqueles que desprezavam os mandamentos de Deus, mas também pessoas que exerciam profissões desprezadas.
Os seguidores de Jesus são com frequência designados como “os pequeninos”, na verdade eram homens que não tinham tido formação religiosa, por isso eram considerados como homens sem educação, atrasados ou mesmo como pessoas sem piedade, em resumo no círculo de Jesus faziam parte os sem-instrução, os ignorantes, que segundo as convicções do tempo, estava fechado o acesso à salvação por causa de sua ignorância religiosa e do seu comportamento moral. Contudo se olharmos para as mesmas pessoas com os olhos de Jesus, elas aparecem sob nova luz. Ele as chama de “os pobres”, Os que estão sujeitos a trabalho pesado e são oprimidos. Jesus olha com infinita misericórdia para esses mendigos perante Deus, ele vê que além de suportar o desprezo público da parte das pessoas, ainda viviam com a falta de perspectiva de um dia alcançar a salvação de Deus.
O anuncio da boa nova foi recebido com uma tempestade de indignação, primeiro por que os fariseus rejeitaram a mensagem de Jesus e a partir da tradição houve: incompreensão, revolta, injuria, acusação de blasfêmia e a exigência para que os discípulos se separassem desse sedutor. Isso não foi de causar espanto porque a boa-nova era um tapa na cara de todo sentimento piedoso daquela época, separação em relação aos pecadores, sabe que a mesa estava aberta só aos puros. Era proibido compadecer-se de alguém que conhecimento, eles sabiam que Deus era misericordioso e pode perdoar porem o perdão era somente para os justos, porque para os pecadores valia o julgamento.
Seguindo Jesus, o amor do Pai se volta para os filhos desprezados e perdidos, é como se o comportamento moral nada significasse aos olhos de Deus. Por isso o toda hora Jesus se vê obrigado a dar uma satisfação pelo escândalo do evangelho, e ele faz isso por meio das parábolas. As parábolas que tratam da graça  concedida aos pecadores são todas elas justificação da boa-nova.
Ao justificar o seu Evangelho Jesus apresentou três razões:
Aponta para os pecadores – são doentes e necessitados porem são agradecidos, porque somente os carregados e culpa é que pode avaliar o que significa remissão da culpa, portanto sua gratidão e sem limites.
Aponta para os justo-a sua distancia em relação a Deus, porque pensam bem demais de si mesmos e confiam na sua própria piedade.
A mais decisiva justificação dada por Jesus é que Deus é infinitamente bondoso, e se alegra quando um transviado acha o caminho de casa, na verdade Jesus pretende realizar o amor de Deus e por isso age como seu representante.      

2 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Muito bom o seu blog, estive a percorre-lo li alguma coisa, porque espero voltar mais algumas vezes,
deu para perceber a sua dedicação em partilhar o seu saber.
Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante.
E se gostar e desejar comente.
Que Deus vos abençõe e guarde.
António.
http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

Jeter Alves Silva disse...

Boa tarde.
Por gentileza, podem informar onde posso encontrar os livros desse autor traduzidos em Português?
Até o momento encontrei apenas dois.